02 de Julio de 2026
Edición 7487 ISSN 1667-8486
Próxima Actualización: 03/07/2026
Diario Judicial

A globalização, a internacionalização do capital e suas influências no mercado de trabalho no Mercosul

A globalização, a internacionalização do capital e suas influências no mercado de trabalho no Mercosul

No presente trabalho buscar-se-á analisar o cenário mundial que neste início de milênio se caracteriza pelo avanço e consolidação da globalização econômica especialmente financeira e produtiva que de modo geral vem possibilitando o crescimento e envolvimento dos organismos internacionais nas economias modernas nas últimas décadas.   Esse fenômeno, no entanto, vem provocando alterações que  se manifestam  nas diversas áreas da vida privada e pública da maioria dos países no mundo.

A internacionalização da economia e os impactos do comércio internacional trouxeram repercussões nas relações de produção com reflexos no nível de emprego dos países envolvidos, principalmente os que estão em fase de desenvolvimento.

O ritmo e a forma como os paises são inseridos neste processo são diferenciados e depende do grau de desenvolvimento, das opções políticas e correlação de forças entre setores produtivos. Desta forma, para melhor compreensão deste processo,

 
REFERNCIAL TEORICO

1. A evoluo histrica da internacionalizao do capital

O capitalismo teve o incio do seu centro dinmico na Europa, especificamente na Inglaterra, Holanda, Alemanha, Frana propagando-se depois para Estados Unidos. Este modelo de produo e acumulao de capital vem criando e recriando fronteiras geogrficas e culturais influenciando os novos desenhos dos mapas do mundo desde de sua origem at a sua globalizao total ocorrida nos anos finais do sculo XX. Pela sua natureza o capitalismo, est sempre em busca de novos mercados para o desenvolvimento do processo de acumulao.

Pode-se dizer que a internacionalizao do capital se originou no Sculo XV com a ativao do comrcio martimo mundial, mas foi a partir da metade Sculo XX que a difuso macia da tecnologia da informao nas atividades econmicas deu-lhe caractersticas e impulsos sem precedentes na histria da humanidade. O desenvolvimento e difuso da informtica possibilitaram a adoo de novas estratgias de produo e distribuio das atividades das corporaes produtivas. A partir da introduo da informtica, as unidades de produo puderam ser reformuladas transformando as empresas integradas verticalmente em um modelo das networks [rede de produo] que incorporam diferentes empresas em um mesmo projeto global.

Nesse processo, tanto a tecnologia de produo quanto o capital adquiriram uma mobilidade crescente e acelerada pela possibilidade de fragmentao da cadeia produtiva. A fragmentao da produo possibilita que um mesmo produto possa ser desenvolvido em vrios locais diferentes e desta forma somente a mo de obra tornou-se o fator no mvel, permitindo a incorporao do low-wage [mo de obra barata] na lgica global.

A forte competio entre as networks, empresas lderes globais, tornou-se o motor seletivo do capitalismo atual cuja dinmica alimentada inicialmente pela concentrao e a fragmentao da produo mundial caracterizada pela necessidade de uma escala cada vez maior de investimentos. Estes investimentos tm como objetivo manter ou adquirir lideranas tecnolgicas e reduzir a quantidade de agentes decisrios da produo mundial.

A evidncia desta concentrao pode ser notada pelos dados referentes as maiores corporaes mundiais que detm juntas a maioria dos estoques dos investimentos globais diretos e dos fluxos de pagamentos internacionais de royalties e fees. Segundo DUPAS (1999), atualmente, o processo produtivo mundial composto em sua maioria de corporaes oligopolizadas destacando-se as montadoras de automveis, a extrao, refino e distribuio de petrleo e as de comunicao com seus investimentos espalhados pelos cinco continentes. A maioria dessas empresas de origem americana, japonesa, alem, francesa, italiana, sua, inglesa e holandesa, pases que estiveram presentes na I Revoluo Industrial. As grandes lderes da produo global, como caso da indstria automobilstica, tradicionalmente desconcentrada, atualmente, tem sua produo concentrada em apenas cinco fabricantes com cerca de 40% da produo mundial demonstrando que os pases que assumiram o controle da primeira fase da internacionalizao do capital entre 1450-1850, ainda mantm a liderana da produo mundial.

Uma das explicaes para esta concentrao est no monoplio da tecnologia, conseqncia dos investimentos em pesquisas. Nos pases desenvolvidos dentre os quais destacam-se os USA, a Alemanha e o Japo, os investimentos anuais em pesquisa na dcada de 80, ultrapassaram 3% do PIB, enquanto que no Brasil no atingiu 1% do Produto Interno Bruto no mesmo perodo (COUTINHO & FERRAZ, 1994:135). Percebe-se pelas fuses e incorporaes que a tendncia do capitalismo contemporneo, embora existam os acordos e o protecionismo, continuar a formao de grandes grupos operando em nvel mundial e lutando preponderantemente por mercados abertos.

Apesar da internacionalizao do capital como forma comercial e de crdito ter se iniciada com as grandes navegaes, a internacionalizao do capital produtivo veio ocorrer aps a Primeira Revoluo Industrial, com a implantao no exterior das filiais das indstrias inglesas acompanhando a diviso internacional do trabalho proposta pela Inglaterra. A consolidao veio ocorrer a partir da Segunda Revoluo Industrial com a internacionalizao das grandes empresas aprofundada pela concorrncia entre as grandes potncias. (TAVARES, 1998: 41)

Esse primeiro movimento da internacionalizao do capital chega ao seu auge na belle poque (1870-1914) no incio do sculo XX, com o firme crescimento da produo e do comrcio mundial. Nesta poca, o mundo inteiro participava de uma civilizao mercantil integrada. Por volta de 1913, o comrcio internacional representava grande percentual do PIB de vrios pases da Europa. Dentre estes pases encontravam-se a Frana com 35,4%, a Alemanha 35,1% e o Reino Unido com 44,7%.

Nessa fase, que vai at ao final da dcada de 1920, o capital exportado pelas principais potncias econmicas europias, tanto em forma de investimentos diretos ou em forma de aes, atingiu nveis percentuais do PIB que no foram ultrapassados at hoje. E foram esses capitais que ajudaram a construir a Amrica do Norte, Argentina, Austrlia e frica do Sul considerado os tigres econmicos da Era Vitoriana. (HIRST,1998:101-20)

O segundo grande movimento de capital internacional foi caracterizado pela concorrncia interestatal entre as grandes potncias, atravs do boom que se iniciou aps a Segunda Guerra Mundial, sob a liderana das grandes empresas americanas. A expanso comercial ocorreu entre as matrizes e suas filiais, com o predomnio das aes intra-firmas para fugir das barreiras protecionistas nacionais e regionais como ocorreu na Amrica Latina e na Europa. Este processo de crescimento das multinacionais durou at o incio da crise do petrleo imposta pela OPEP em 1973. Neste perodo, que vai de 1950 a 1973 o comrcio mundial cresceu a uma taxa mdia anual de 9,4% enquanto a produo mundial cresceu 5,3%. Percebe-se, portanto, que o comrcio internacional cresceu a uma taxa maior que a produo, que, por sua vez tambm atingia nmeros nunca antes conhecidos, bem superiores aos ndices conseguidos no perodo da belle poque e os que foram alcanados recentemente nos anos 90.

Nesta fase o cenrio poltico internacional era conduzido no Ocidente pelos Estados Unidos e no Leste Europeu pela Unio Sovitica. Os movimentos de capitais entre as diversas economias eram controlados com rigor na maioria dos pases. Caberia ento aos demais pases concentrar seus esforos na consolidao de seus espaos econmicos. Essa relativa dissociao entre os cenrios polticos e o econmicos teve conseqncias importantes e que vo aparecer com clareza alguns anos mais tarde na fase em que se inaugura com o fim da guerra fria.

A evoluo econmica de pases como a Alemanha, Frana e Japo so exemplos de otimizao destas oportunidades de consolidao dos seus espaos econmicos. Estes pases souberam reestruturar seus sistemas produtivos, seja com recursos prprios ou aproveitando-se das circunstncias de serem reas prioritrias para investimentos. Os referidos pases conseguiram, num ambiente aparentemente hostil encontrar espaos para seu crescimento econmico. Nesse perodo, diversos pases com grande potncia econmica atingiram taxas de crescimento na produtividade de seus fatores comparveis aos atuais tigres asiticos. De acordo com HIRST (1998:105), mereceram destaque a Frana com 3,0% (1950-1973); Itlia com 3,4% (1952-1973) e o Canad com 1,8% (1947-1973).

Um dos fatores que contriburam para o desenvolvimento econmico foi a necessidade de recuperao das economias aps a Segunda Guerra que veio de encontro aos interesses de expanso da acumulao capitalista proporcionando o campo favorvel industrializao de vrios pases no desenvolvidos dentre os quais, o Brasil e Argentina. Essa expanso ocorre, com a indstria txtil, a indstria automobilstica e as indstrias de base inaugurando um novo ciclo de produo.

A partir dos anos 80 o crescimento da abertura internacional, facilitado pelo desenvolvimento das comunicaes, levou aos grandes oligoplios consolidao de novos mercados e a impor novos hbitos de consumo em todo o mundo. As aes dos grandes grupos, ajudadas pela impressa, vieram criar um ambiente favorvel queda das barreiras e expanso da nova ordem do comrcio mundial tornando consumidores do mundo inteiro um grande mercado global.

A velocidade da criao e da distribuio de novos produtos nos mercados mundial intensificou e acelerou, no sistema produtivo, o processo de destruio criadora (SCHUMPETER, 1979: 50), que passou a impulsionar em um espao de tempo cada vez mais curto a substituio dos bens existentes no mercado por novos bens, tornando-se estratgico produzi-los em qualquer parte do mundo. Os espaos geogrficos passaram constantemente a ser alterados pelo processo da mundializao da economia, principalmente, com a reduo das barreiras protecionistas alfandegrias, tarifrias e no tarifrias<![if !supportFootnotes]>[1]<![endif]> e o fomento do intercmbio tecnolgico.

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2. Globalizao financeira e a mundializao do capital

Todavia na globalizao atual, podem ser destacadas duas vertentes. Uma delas a continuidade da internacionalizao do capital produtivo, iniciada na primeira Revoluo Industrial com as empresas rompendo sempre novas barreiras de produo globalizada. A outra se traduz no fluxo da internacionalizao do capital financeiro que desde o Consenso de Washington, ocorrido em meados da dcada de 70, vem se acentuando em prejuzo dos investimentos produtivos. (CHESNAIS, 1998: 87).

Na globalizao do capital financeiro, os estoque de moedas so aplicados nos mercados sob a forma de dinheiro exercendo forte preferncia pela liquidez e comandado pelos grandes centros financeiros que mantm o elo de conexo entre si nos principais pases desenvolvidos. Estes mercados financeiros tm apoio de seus governos que asseguram a sua liberalizao e desregulamentao (CHESNAIS,1998:22).

Alguns autores como BAUMANN (1996:33) analisam como positiva a globalizao financeira para os mercados de origem, desde que estes ativos consigam romper as barreira da regulamentao de seus pases na busca de melhores ganhos. No entanto, estes movimentos suscitam temores em outros cientistas econmicos, dentre os quais: Chesnais e Conceio Tavares, de que esta mobilidade crescente possa despertar movimentos especulativos em grande escala, trazendo conseqncias desastrosas para economia dos pases envolvidos. Outros autores seguidores da Teoria Keynesiana, dentre os quais James Tobim, considerado um fiscalista, defende que a poltica monetria e fiscal afetam o nvel de produto e de emprego de forma rpida, mas sem efeitos sobre o nvel de preos.

De acordo com TAVARES (1998:42), estas polticas foram impostas pela ideologia neoliberal das autoridades econmicas americanas que submeteram a economia mundial a uma lgica financeira global sem precedente. Portanto, no se trata de um fenmeno natural resultante das aes espontneas de mercado, com querem os liberais e nem tampouco da lgica da internacionalizao do capital como poderiam pretender os marxistas ortodoxos. Destaca-se neste processo que a globalizao ou financeirizao global no se prope a uma diviso internacional de trabalho ou de produo duradoura e hierarquizada. Ao contrrio, a velocidade das informaes e principalmente da transmisso de dados possibilita que os capitais financeiros percorram sem restries as bolsas de valores do mundo inteiro na busca de lucros de curtssimo prazo.

O mercado mundial atualmente dominado pelas aplicaes de curto prazo e se movimentam pelo mundo em busca de lucros rpidos atravs da mudana nos preos dos ativos. O crescimento na escala de especulao em relao s outras transaes marcante. Em 1971, cerca de 90 % das transaes estrangeiras visavam financiar o comrcio e os investimentos de longo prazo e somente 10% destinavam-se a especulao. Atualmente, os percentuais se inverteram e cerca de 90% das transaes so especulativa e o volume to grande que supera as reservas estrangeiras dos componentes do G7<![if !supportFootnotes]>[2]<![endif]>.

Desde a crise do cmbio de 1993-1994, nos grandes centros de negcios de Nova York, Londres, Tkio, Frankfurt, Hong Kong e So Paulo entre outros, operadores financeiros com equipamentos sofisticados e assessorados por vrios analistas econmicos assumiram de comando do sistema capitalista mundial. Os commanding heights [altos postos de comando] movimentam bilhes de seus clientes, em questo de horas dividindo-os em investimentos e mercados totalmente diversos. So esses operadores que ditam o ritmo da acumulao e fazem a partilha das riquezas e do trabalho.

As oscilaes dos mercados so frutos das expectativas que os investidores tm em relao aos ganhos, riscos e as incertezas na cotao dos seus contratos. Na verdade, os grandes bancos, no mundo das finanas globalizados perderam seus espaos para as organizaes no bancrias, instituies que representam sociedades coletivas de aplicaes financeiras, os mutual funds<![if !supportFootnotes]>[3]<![endif]> .

O crash de 1987 em Wall Street, a fragilizao dos bancos, a crise do setor imobilirio 1990-1991 e a Crise Mexicana de 1994 e suas conseqncias so alguns exemplos recentes das influncias da globalizao do capital financeiro em nvel de emprego mundial.

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3. Os avanos da globalizao e suas influncia na Amrica Latina

A partir do incio dos anos 90, os principais pases latino-americanos tambm aderiram ao processo de globalizao seguindo as medidas propostas pelo Consenso de Washington <![if !supportFootnotes]>[4]<![endif]> que previam a estabilizao monetria, a reforma do Estado e abertura comercial. Como respostas a estas propostas foram adotados uns conjuntos de medidas dentre as quais se destacaram a abertura comercial, as privatizaes das empresas estatais e a reduo dos dficits primrios.

As conseqncias destas medidas para economia foram a reduo das atividades industriais, o corte dos gastos pblicos e o aumento do desemprego formal e da informalidade. Na Argentina o desemprego atingiu cerca de 20% da fora de trabalho, no Paraguai 6,7 %, Uruguai 11,3% e no Brasil o desemprego geral esteve sempre acima de 10 % e a informalidade chegou prximo a 50% da populao economicamente ativa e forte arrocho salarial. Na dcada de 90 a taxa de ocupao em relao ao total da populao nos pases que fazem parte do Mercosul esteve sempre entre 29 e 38 % entre os homens e 19 e 24 % entre as mulheres

A abertura comercial acentuou-se com as medidas adotadas pela OMC aps a rodada iniciada no Uruguai em 1986, concluda em 1993 em Genebra e assinada em Marrakech e 1994, na qual se consagrou definitivamente o sistema multilateral de comrcio e confirmou-se a supremacia dos sistemas baseados na abertura e flexibilizao a frente dos comrcios e servios protegidos e fortemente subsidiados.

As mudanas no perfil da economia mundial se alteraram principalmente com a determinao pelo Acordo assinado em Marrakech na qual os fluxos dos intercmbios comerciais e financeiros estejam determinados e dominados pelo mercado e se tenha generalizado as empresas transnacionais.

Neste contexto buscando encontrar formas de enfrentar a concorrncia dos pases desenvolvidos e preservar seus sistemas produtivos e o mercado de trabalho os pases latino-americanos do cone sul dentre eles o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai estabeleceram a adoo de uma poltica comercial comum em relao a terceiros Estados ou agrupamento de Estados como, por exemplo, a UE e a NAFTA. A adoo destas medidas buscava acima de tudo melhorar o nvel de vida de seus povos com a implementao de uma poltica que tenha em conta uma abertura econmica com uma insero mais competitiva na economia global.

Segundo IANNI (1999), No se pode negar que as polticas externas de cada pas sofrem o influxo e as presses de fatores exgenos que limitam as aes dos Estados nacionais. Dentre estes fatores esto as empresas transnacionais que moldam o cenrio legal e econmico nacional e internacional de acordo com seus interesses tendo o respaldo dos organismos internacionais<![if !supportFootnotes]>[5]<![endif]> que obrigam os Estados ao seu cumprimento.

Todavia cabe ressaltar que quando estas decises internacionais sejam via tratados ou por iniciativa das organizaes internacionais, interferem na regulao econmica de um pas temos interligao do binmio regras jurdicas e empresas transnacionais com forte influencia sobre os Estados que por um lado buscam atender s decises tomadas nos organismos internacionais da qual signatrio e por outro lado tem que se posicionar ao lado dos grandes grupos empresariais que sempre lutam por melhores condies de atuao.

Um outro aspecto a considerar que a dinmica da economia mundial passou a ser dominada pelos os avanos tecnolgicos e pelos fluxos de informaes determinando desta forma a relao entre os pases. Todavia o que se observa que estas tecnologias so dominadas pelas grandes empresas transnacionais e, portanto no pertencem aos governos dos pases onde atuam. Esta dinmica vem provocando avanos e melhoria no sistema de comunicao e transporte facilitando a mobilizao dos fatores produtivos entre os pases membros inclusive de trabalhadores, acelerando as migraes temporrias e permanentes. A facilidade ou no da mobilizao dos fatores de produo, depender da forma de conduo do acordo entre os pases membro. A migrao de trabalhadores tem sido um dos temas mais polmicos na formao dos acordos multilaterais<![if !supportFootnotes]>[6]<![endif]> no s no Mercosul como tambm na Unio Europia, NAFTA e atualmente na formao do ALCA.

A livre mobilizao de trabalhadores, um dos fatores da produo, implicar segundo, AQUINO (1998) na adequao de uma vasta legislao trabalhista, previdenciria, escolar e sanitria, visando dar garantias no somente aos trabalhadores visitantes como tambm aos empreendedores que os contrata.

Relacionando os aspectos jurdicos aos econmicos mais relevantes do acordo pode-se enumerar alguns dos principais pontos cuja concretizao vem se tornando em grandes desafios ao Mercosul:

a) livre circulao de capital, que possibilite melhor utilizao segundo o interesse do investidor; b) livre circulao de mercadorias, sem barreiras alfandegrias; c) Liberdade de circulao de trabalhadores, dentro e fora de seus estados limites; d) liberdade para produo, armazenagem e comercializao de produtos, permitindo que o produtor possa produzir no prprio Estado ou em outro signatrio do Mercosul; e) Liberdade de concorrncia que submetam todos os produtores as mesmas regras jurdicas e a idnticos encargos que incidam de uma mesma maneira nos produtos de sua empresa.

Todavia, no h, no atual estgio de integrao perspectivas de adoo da livre circulao do fator mo de obra semelhante ao que ocorre na Unio Europia. Isto em razo de que o Mercosul uma unio aduaneira e seus Estados membros no vem a necessidade de regulamentar a livre circulao de trabalhadores entre os pases. Portanto a mobilidade dos trabalhadores fica restrita s leis de migrao entre os pases-membros.

Ainda dentro da proposta de livre circulao de mercadoria o Conselho Mercado Comum (CMC) do Mercosul aprovou em agosto de 1994, a Tarifa Externa Comum (TEC) que embora com certa dificuldade vem sendo implementada.

Segundo SCHAPOSNIK (1997) as dificuldades se origina no modelo escolhido e sugere a anlise a partir ideologia que inspirou o modelo e a forma como ele foi implantado. A euforia inicial, gerada pela abertura comercial inter pases do cone sul, que representou um grande avano no comrcio entre os pases membros do MERCOSUL. Todavia o aumento significativo das relaes comerciais encobria um grande movimento que se formava nos pases desenvolvidos em defesa de seus interesses. Este movimento veio aparecer com maior nfase j no final dos anos 90 quando das negociaes da ALCA. A forma como estas negociaes sero conduzidas poder ter reflexos diretos no sistema produtivos e no nvel de ocupao dos pases nos pases do MERCOSUL.

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4. Os avanos da automao e sua influncia no nvel de emprego formal no mundo.

Todavia no foram somente a globalizao do mercado financeiro e a evoluo da tecnologia os responsveis pelo aumento do desemprego, existem tambm outros fatores envolvidos. A forma como foi tratada a influncia da modernizao do setor produtivo nas relaes entre o capital e o trabalho em muitos casos se deu com a conivncia das autoridades e lideranas dos trabalhadores.

Em meados da dcada de 60 o modelo fordista comeava dar sinais de esgotamento e no houve a adoo de medidas compensadoras suficientes para gerar opes de trabalho aos atingidos pelo desemprego e pela da automao. Apesar dos esforos dos sindicatos, durante as negociaes de bastidores na questo da automao, predominaram os interesses das empresas ( Rifkin,1995:90). Junto com a automao veio a flexibilizao das relaes entre o capital e o trabalho, levando o movimento trabalhista perder as foras de que desfrutava desde o final da II Guerra Mundial provocando grandes taxas de desemprego em todas atividades.

Atualmente, pode-se observar inclusive no setor tercirio (comrcio e servios), que at ento era um grande absorvedor de mo de obra. A adoo de equipamentos cada vez mais sofisticados passam substituir os trabalhadores nas tarefas que permitem a automao. O sistema bancrio e os supermercados so exemplos de atividades que esto passando por profundas mudanas neste sentido.

Segundo Rifkin (1995:201) especialistas no assunto concluram que os trabalhadores de todo o mundo, continuaro perdendo seus empregos por um tempo ainda indefinido, principalmente, nos pases em que o processo de desenvolvimento aconteceu mais recentemente como o caso dos integrantes do MERCOSUL. Para os trabalhadores menos qualificados, o emprego fixo e duradouro estar cada dia mais escasso.

A caracterstica da nova corporao produtiva dos anos 90 a competncia de controlar atividades simultneas em vrios locais e de tirar vantagens de diferentes fatores de produo entre os pases. Os centros de deciso, normalmente se localizam nas metrpoles e os centros de pesquisas esto nos cluster ou em reas de mo de obra qualificadas. A produo fragmentada com a finalidade de reduzir custos totais. Os recursos mais mveis, como tecnologia e equipamentos so transportados para o local em que a mo de obra pouco qualificada e com frgil poder de mobilizao sindical.

No mundo capitalista do final do Sculo XX e no incio do Sculo XXI as grandes empresas que vem se destacando no comando das cadeias de produo. As producer-driven que so as grandes manufaturas coordenando as networks, utilizando intensivamente capital e tecnologia, como o caso das montadoras de automveis, avies, computadores e de maquinarias pesadas. E as buyer-driven que so os grandes varejistas, designers e trading networks descentralizados em vrios pases especialmente no terceiro mundo. o caso dos calados, brinquedos, roupas e eletrodomsticos. Nesse ltimo caso, eles no fabricam apenas controlam a produo terceirizada e externalizam os riscos, visto que mais fcil romper um contrato do que fechar uma planta industrial<![if !supportFootnotes]>[7]<![endif]>.

A concorrncia globalizada impe condies bsicas para que essas empresas tenham sucesso - qualidade e preo levando ao desaparecimento de empresas ou grupo de empresas na forma de aquisies e fuses e as conseqncias destas aes influenciam o nvel de emprego e o futuro do trabalho de dezenas de milhes de pessoas que hoje esto no mercado de trabalho.

Concluso

Para concluir pode-se resumir nos seguintes aspectos os vrios fatores que influenciam os mercados de trabalho nos pases do MERCOSUL. A estratgia utilizada pelos pases membros na implantao do modelo de integrao regional, esbarrou nas dificuldades apresentada pela heterogeneidade das idias predominante na regio. O clima de desconfiana inicial provocou entraves nas relaes dentro do Mercosul, fazendo com que os mesmos realizassem acordos bilaterais com outros pases. A adoo do modelo neoliberal em pases com profundas diferenas culturais e econmicas por certo apresentam resultados diferenciados. Por outro lado a facilidade da internacionalizao do mercado financeiro, em razo dos avanos tecnolgicos, provoca a desregulao dos mercados financeiro e produtivos nacionais, influenciando o sistema produtivo reduzindo o controle sobre as polticas monetrias. As perspectivas do comrcio que devido a convergncia do padro de consumo mundial, provocam a unificao da demanda facilitando a oferta, criando modificaes na estrutura produtiva de cada pas. A introduo dos processos modernos de produo provoca o aumento da produtividade e a conseqente reduo do tempo de trabalho com aumento da lucratividade das empresas. Acrescente-se a isso, a velocidade das informaes a melhoria do sistema de transporte, permitindo que as grandes empresas possam na busca de uma escala global de vantagens comparativas, abastecer um mercado maior; A ideologia do livre mercado ampliou-se no mundo principalmente nos pases latino americanos. Esse iderio vm influenciando a dinmica das polticas internacionais; As instituies que em razo da ausncia de medidas reguladoras supranacionais vm se pautando na reduo dos empregos diretos, sem, no entanto discutir formas alternativas de reduo de custos por outras vias<![if !supportFootnotes]>[8]<![endif]>.

O processo de internacionalizao e escalada global dos meios de comunicao, provocando a generalizao dos padres de consumo capitalista. Todos estes aspectos em conjunto vm provocando alteraes nos mercados de trabalho no mundo todo com influncia direta nos pases em desenvolvimento dos quais se destacam as taxas de desemprego aberto crescente nos ltimos anos com aumento do desemprego duradouro, a expanso do emprego em atividades tercirias de baixa produtividade, o crescimento das atividades por conta prpria, o aumento da contratao de trabalhadores sem registro e sem seguridade social e por fim a deteriorao dos salrios e das rendas.

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BIBLIOGRAFIA

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MARX, Karl. O capital : crtica economia poltica. So Paulo: Nova Cultural, 1985.

MARTINS & SCHUMANN.

Estimado colega periodista: si va a utilizar parte esta nota o del fallo adjunto como "inspiración" para su producción, por favor cítenos como fuente incluyendo el link activo a http://www.diariojudicial.com. Si se trata de una nota firmada, no omita el nombre del autor. Muchas gracias.

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